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  • Aline Paranhos

3 anos de Alumia

Fiz 3 anos de Alumia.


Recebi vários parabéns no LinkedIn e agradeço muito a gentileza, mas a maioria das pessoas que me felicitaram não tem ideia do que isso significa. Provavelmente pensam que estou comemorando 3 anos como funcionária em algum lugar bacana.

Alumia é meu negócio próprio. Meu sonho do empreendedorismo. Meu tal trabalho com propósito que, muitas vezes, tem como propósito só pagar as contas mesmo.


São 3 anos empreendendo e sobrevivendo aos trancos e barrancos. Empreender para mim foi uma opção mesclada à falta dela, assim como é para muitas e muitas mães. E, não, não é romântico.


Nesse período eu já doulei 30 nascimentos e entre 40 e 50 mães (seja na gestação, parto ou pós-parto). Teve médico humanizado que me chamou para conversar e eu, esperançosa, achei que iria acontecer parceria interessante, mas não deu em nada. Teve criação de diversos projetos, inclusive um que inscrevi num edital, para o qual não passei. Teve trabalho voluntário para ganhar experiência. Teve investimento alto e – ainda – sem retorno significativo em marca pessoal e identidade visual. Foram tempos de muita disponibilidade, noites de espera e outras tantas madrugadas de trabalho intenso.


Já trabalhei como PJ para uma empresa de pesquisa de mercado, para uma companhia de arte para crianças (da produção cultural e administração à recreação propriamente dita, brincando com a criançada nos SESC da vida); já produzi bijuterias, vendi chás e revisei alguns zilhões de textos.


Currículos? Nem sei quantos enviei. Experimentei diversos formatos, desenvolvi diversas propostas de trabalho, acionei rede de contatos, preenchi formulários infindáveis. Entrevistas mesmo, nesses 3 anos, não mais que 4. Eu, com mais de 15 anos de experiência principalmente com CEOs, inglês, espanhol fluentes E pós-graduação em Língua Portuguesa, nem passei para as segundas fases.


Hoje sigo sendo secretária autônoma (majoritariamente para uma grande cliente) e atendendo algumas poucas gestantes, já que a disponibilidade de tempo que os acompanhamentos de parto requerem não são uma opção para mim durante a pandemia. Isso tudo me gera uma renda de cerca de 20% do que eu recebia quando era CLT.


Foram e tem sido tempos de muito trabalho, bastante ansiedade, diversas frustrações, muita criação de alternativas para conseguir gerar renda e criar (junto com meu companheiro, que também é autônomo) duas filhas pequenas.


Então, sim, parabéns para mim. Num mundo onde o mercado de trabalho fica terrivelmente mais restrito para as mães e onde estar fora do mercado formal por longos períodos é um problema, seguir criando, economizando, gerindo tempo e (pouco) dinheiro, inventando novas formas de trabalho e sobrevivendo com alguma qualidade de vida é, de fato, motivo para muitas felicitações.


Isso é só um desabafo; óbvio que houve muitos ganhos associados ao empreendedorismo na minha vida, mas isso é assunto para outro texto. É óbvio também que é bem difícil lidar com tantas incertezas e instabilidade, sabendo que tenho capacitação, experiência, competência e uma infinidade de soft e hard skills para assumir posições corporativas, fazer um trabalho brilhante e ser dignamente remunerada por isso.


Parabéns para mim e para as outras tantas de nós, que seguem fazendo tanto com tão poucas oportunidades.


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