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  • Aline Paranhos

E quando acontece uma cesárea?


Eu recebi minha primeira filha, Melissa, através de uma cesárea desnecessária, ludibriada por um médico que nem de longe tirava minhas dúvidas adequadamente sobre via de nascimento. Quando entrei em contato com o universo do parto normal, anos depois do nascimento dela, levei algum tempo para me perdoar por não te me informado melhor, por não ter dado a ela a oportunidade de ser recebida de forma respeitosa, no tempo dela.


Para aquela mãe que está em busca de um parto normal e não consegue, o choque pode ser ainda maior. Seja por ter ocorrido uma real indicação, seja porque a mãe desistiu em algum momento e optou por uma cesárea, seja porque o prazo expirou e o trabalho de parto não engrenou (no Brasil, o bebê tem até 42 semanas de gestação para nascer e cada instituição tem seu protocolo com relação à isso, sendo que a maioria interna a gestante para uma indução de parto com, no máximo, 41 semanas completas, para garantir que o nascimento ocorra antes das 42 semanas completas), enfim...seja qual for o motivo, uma cesárea indesejada pode ser bem difícil de digerir.


Já vi muita coisa acontecer: mãe que entende que tentou de tudo e se sente tranquila com esse desfecho, mãe que entende que está tudo bem, mas fica frustrada por não ter tido o parto esperado e mãe que não consegue engolir a cesárea, carrega esse peso muito intensamente e por muito tempo.


A todas essas mães, meu conselho é: aceite o que não pode ser mudado. Não, você não tem controle sobre tudo e está tudo bem. A cesárea pode salvar (e salva!) vidas quando bem indicada. Que bom que ela existe!


Se de alguma forma você se sente culpada, tranquilize seu coração. Você fez o melhor que pode, dentro das ferramentas que possuía. Ainda que você tenha deliberadamente desistido do parto e gritado por uma cesárea, está tudo bem! Você foi até o seu limite, até o limite do que sua mente e corpo ditaram naquele momento.


Vejo mulheres que buscam mil justificativas para ter desistido, normalmente justificativas externas, para de alguma forma se sentirem redimidas da culpa que carregam. E, cara, por que cargas d’água a gente precisa sentir tanta culpa!? Experimente se perdoar! Experimente assumir que você tem limites físicos e emocionais e se perdoe!


Para as que de fato tiveram seus partos roubados por médicos pressionando para desistir, mau atendimento que levou à necessidade de cirurgia etc., o meu mais apertado abraço. O Brasil é um país onde as taxas de cesárea são mesmo assustadoras e a assistência obstétrica por aqui é desoladora. Sem muita informação e uma equipe que te apoie é realmente difícil escapar de tanta violência obstétrica. Saiba que, se for o seu desejo, você pode, inclusive, processar a instituição onde a violência aconteceu.


No mais, mães, sei que é difícil. A maternidade é bem difícil. Porém, reconhecendo que a via de nascimento é muito importante e deixa, sim, registros nos nossos filhos por toda a vida, lembremo-nos também de que haverá infinitas possibilidades de construir registros maravilhosos com nossos filhos, sendo as melhores mães que podemos ser. Sem carregar peso de culpa desnecessária, o caminho fica mais suave.


Um abraço em todas nós! Sim, porque com esse texto, me abraço também 😉



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