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  • Aline Paranhos

Minha carreira, como fica?



Eu venho tentando voltar para o Secretariado há alguns meses.


Um tanto porque a doulagem não é suficiente para arcar com todas as contas, mas outro tanto porque sinto saudades do mundo corporativo, das reuniões, dos almoços e cafés, da rotina, das soluções criativas, da estabilidade, dos eventos... Sim, sinto falta.


Nessa busca por um trabalho novo cheguei a me desmotivar. Sabe o lance da síndrome da impostora? Pairou por aqui. Pensei coisas como: não sou boa o suficiente para voltar porque estou fora do mercado há quase 3 anos, minha última formação acadêmica foi há muito tempo, meu networking está muito restrito etc.


Mas aí parei para lembrar de toda a minha trajetória desde outubro de 2017, quando fui desligada do meu último trabalho como Secretária Executiva (CLT).


Fiz meu curso de doula, me especializei como facilitadora do aleitamento materno em dois módulos diferentes, fui congressista no Siaparto em dois anos, aprendi técnicas de rebozo, Spinning Babies, aromaterapia, integrei a primeira turma de doulas voluntárias num hospital privado no Brasil (o Hospital da Luz), conduzi e participei de rodas de mulheres, acolhi, informei e ajudei a empoderar diversos casais e vi o nascimento de cerca de 30 bebês. Quanta novidade! Descobri o meu tal trabalho com propósito e tudo o que aprendi e vivi desde então é impagável. Venho sendo na prática uma mulher que apoia outras mulheres.


Se eu não tivesse tido coragem de desbravar essa nova área, talvez eu tivesse passado a vida toda secretariando sem nunca ter vivido tanta coisa maravilhosa. Quantas e quantas das minhas colegas jamais mergulharão tão profundo no universo feminino ou num outro trabalho que as encha de paixão, seja por falta de vontade, de conhecimento ou de coragem, mesmo?


Eu queria mais e fui! Fiz! Vivi e venho vivendo!


Tenho certeza de que todas as habilidades que desenvolvi e experiências que tive nesse período me fizeram uma pessoa e consequentemente uma profissional melhor. Aprendi sobre autonomia, escuta amorosa, respeito à individualidade, trabalho em equipe, gerenciamento do tempo, arte visual, produção de conteúdo e empreendedorismo, entendendo que o meu negócio sou EU e que minhas habilidades vão comigo, seja no empreender autônomo, dentro de uma empresa, ou as duas coisas ao mesmo tempo.


Nesse período também fiz um trabalho para uma empresa de pesquisa de mercado e trabalhei para uma companhia de arte infantil (que precisou suspender as atividades por conta da pandemia), ambos em home office. Daí, vejam que ironia, justamente agora eu tenho experiência nesse cenário tão incomum que é trabalhar de forma remota.


Mas, o que eu quero, afinal? Com este post, me lembrar do quanto sou viva, imparável e cheia de energia, mesmo quando me permito fazer pausas e o quanto esse período de forma alguma me estagnou, mas só me fez evoluir intensa e profundamente.


Na carreira, quero tudo! Continuar sendo doula e voltar para o mercado formal. Quero colocar numa nova posição todos os meus conhecimentos construídos no decorrer de mais de 15 anos de carreira, somados a tudo isso que aprendi fora do mundo corporativo. Quero fazer uma nova pós, direcionada à Gestão Empresarial (para usar nas minhas múltiplas frentes de trabalho) e também estudar mais e mais sobre parto, aleitamento, maternidade ativa e todas essas coisas que me alegram e enriquecem.


Quem foi que disse que a gente precisa escolher uma profissão só? Seja lá quem for, errou ;-)


Estou pronta e estou à procura. Uma hora - este novo trabalho e eu - a gente se encontra.






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